Travo
um poema
Travo na garganta
A graça insiste em olhar para o outro lado
O lado do lixão
Eu comprei a comida
Eu cozinhei a comida
Eu servi a comida
Mas a graça quer comer lixo
Pois que coma
Enfie seu bico longo no chorume
Estou no cume
De te desprezar
Nem uma réstia
Fina como a risada do Zacarias
Nada
Só a indiferença feliz
Travo
Estou parada diante da geladeira
Enquanto você se refestela entre latas e fraldas sujas
Imunda e alheia
À comida
Ao amor
Que um dia guardei para ti
Numa caixa de cristal



<3