Sumiço
andei por aí
Antes de tudo saúdo minhas dezenas de novos seguidores que apareceram por aqui depois da minha última publicação. Segundo, vou tentar descobrir neste texto por que mudei a frequência de publicações, que era, e espero que volte a ser, bastante profícua.
Bom, entreguei a sétima revisão do meu último romance e foi bem trabalhoso porque além de querer ser mais exata com o texto, com o desenho da história, tive que eliminar um personagem que funcionava como um disco ball, tive que mudar tudo para a terceira pessoa. Fiquei obcecada com o arquivo, esquecendo até de tomar banho e beber água.
Nesse meio tempo revi amigos, cuidei de assuntos escolares das minhas filhas, fui ao oculista porque não consigo mais ler sem óculos (antes só usava para ir ao cinema ou dirigir), e também andei comendo muita batata de salsa e sal e assistindo a realities de péssimo gosto.
Dei umas férias de mim. O desgaste do livro e a vida doméstica me sugaram e fui inconscientemente desmamando o Substack, esse espaço tão interessante e divertido para quem gosta de ler e escrever.
Ainda não escolhi as novas armações dos óculos, decisão que carrega um peso importante para mim. Uma armação de óculos dá pistas concretas de quem você é, eu acredito. Aquela do Deltan Dallagnol, por exemplo (vômito).
Também não fui buscar o passaporte que mandei fazer sem nenhuma viagem internacional à vista — é que gosto de ter meus documentos em dia. Sou tão zelosa com isso que até meu CPF é aquele de papel.
Andei revendo uns filmes que vi na adolescência e fiquei espantada com a beleza que é Cristiane F. O show do David Bowie, o David Bowie e a música inteira cobrindo cenas fantasmagóricas de tão bonitas, e uma ondinha que ele faz elegantemente com a mão. A beleza estapafúrdia da atriz, que quando eu tinha 14 anos via como uma adulta. Uma criança. Nós duas. As cores e a montagem do filme, os diálogos secos, a edição inteligente, a língua alemã. Lindo. Lembro de, aos catorze, pintar meu cabelo de vermelho no outro dia.
Wir Kinder vom Bahnhof Zoo
Também revi Garota, interrompida e adorei. Participaria facilmente daquele hospício. Fiquei com vontade de ler o livro. Ando lendo vários livros ao mesmo tempo e odeio quando isso acontece. Vou firmar em um.
Visitei o ateliê de fotografia de um amigo e foi um momento mágico, vi muitas fotos, fotos espantosas, e fiquei pensando que todos, escritores e fotógrafos, somos ladrões.
Ando também brigando comigo: preciso parar de fumar e fazer exercício. Quarenta e cinco na cara e se não fosse a genética favorável já estaria com vários problemas de saúde. Outro dia uma amiga cearense doce-bruta e sinceríssima me ameaçou: “Quem vai limpar tua bunda quando tu ficar velha?” Achei convincente.
Sou tão preguiçosa e racional como um gato. Meu corpo é só um adereço. Mas é uma decisão que estou discutindo comigo mesma, uma hora resolvo. Uma coisa, tantas e nada, de cada vez. Resolvo neste texto, assim como na vida.
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nada como uma verdade-soco para a gente tomar prumo. negligenciar a saúde é perigoso.