Segundo poema
só escrevi um poema
A cadeira de praia inclina
Faz um barulho metálico
Não olho para o sol que me alicia
Meus dedos grossos na areia morna
Um vento ricocheteia uma mecha na minha cara
Lavada
De quem deu porrada
Sou má de biquíni
Abro a boca
O hálito de picolé refrigera corações
Acuada
Desfiro um murro no estômago de um banhista
Causo uma altercação quase nua
Um punho fechado com areia pisada
Esfrego no rosto da senhora boa
Cuspo na criancinha com balde na mão
Fujo para o mar
Engulo água salgada
Os arranhões ardem fininho
Um mutirão se concentra na praia
Esperando que eu volte
Mergulho e abro os olhos dentro d’água
Emerjo com olhos de dragão



A ficção e a literatura, em especial, é este espaço de total liberdade - não só para a imaginação, mas para o tratamento das nossas neuroses, psicoses e perversões (só para ficarmos com a Psicanálise e seu quadro teórico). Simbolizar por meio da palavra os nossos sentimentos dá nisso: poemas que nos permite emputecer sem quaisquer limites. A minha pergunta é: há colírio para os olhos flamejantes do dragão? Dragão toma Matte Leão?
e agora, como sair do mar?