Recato
a obrigação de não falar tudo
Eu, que sou fofoqueira de mim mesma, tenho tentado aderir à prática do recato. Por exemplo, para quer falar da série que estou vendo e que tenho achado arrastada ou do livro horrendo que estou lendo pelo puro prazer de ser um vira-página vulgar?
Pronto já falei. Já falei também que tenho tentado parar de fumar sem sucesso e de praticamente de todos os meus estados emocionais: fúria, tristeza, depressão, raiva, nostalgia, alegria, nem sei mais.
Fico procurando um ramo de realidade qualquer para escrever por aqui. E não praticar ficção — coisa que devia estar fazendo para um livro novo, pronto, já fofoquei sobre mim de novo.
Sébastien Tellier em um clipe lindo com uma boca gigante — a minha.
E quem se interessa? A questão é que estou viciada em publicar no Substack e receber retornos carinhosos dos meus leitores. Escrever aqui me faz lembrar a Era dos Blogs, quando eu comecei a escrever publicamente e não parei mais.
Essa atmosfera de Word mais Blogspot me atrai como uma mãozinha de perfume me chamando sensualmente com o dedo indicador: vem, escreve qualquer coisa.
Agora que vou tentar aderir ao meu recato e vou deixar a ficção para meus futuros livros. O que vou fazer aqui? Resenha de livro ou filme? Não é para mim. Mercado editorial? Idem. Me deem ideias, leitores queridos. Quero escrever, escrever, escrever, mas estou rodeada de muros.



Escreva sobre qualquer coisa. Você consegue fazer literatura com qualquer coisa. Tudo fica interessante com sua estilística.
A descrição espontânea de seus estados emocionais é a cereja do bolo desta news!