Querido diário,
satisfações aos meus leitores
“Você sempre começa a escrever um romance com um susto.” Pensei nisso esses dias. Também todas as vezes que me olho no espelho tomo um susto e automaticamente ensaio um ricto que atenua minhas rugas, minha feição. Estou em vias de fazer 46 anos. E ando suspeitando que estou na perimenopausa.
Perdi três seguidores pagantes recentemente e já sei o motivo: meu Substack virou rascunho de poesia primeva. Na verdade, fora as colunas da Cult, não escrevo textos blocosos desde que terminei o processo dolorido de escrever o romance Vida doçura, que vai sair pela Companhia das Letras em março — já temos data de lançamento, inclusive: dia 26/03/26.
Peço desculpas aos meus leitores daqui e a mim mesma por ter quebrado as expectativas. Mas sou mui honesta comigo e com os outros. Sobretudo com a minha escrita. Se não tá saindo, respeito.
Sei que o frisson da escrita vai voltar em breve, já tenho milhões de notas para meu próximo romance, falta o velho e bom sentar a bunda na cadeira. Mas, sei lá, ando mais interessada em ler, dormir e perfumes.
Em memes que me fazem gargalhar até chorar. Em conversar com meu sobrinho sábio de 25 anos. Em fazer tratamento com máscaras capilares na minha filha. Em tomar pílulas que limpam o fígado — andei bebendo muito por aí.
Penso também em dar aula de escrita, recebi o convite há dois meses e ainda estou refletindo sobre. Sou muito tímida e no zoom fico piscando ansiosamente sem parar. É terrível. Também não sei se acredito que eu possa passar algum conhecimento de escrita. Se for dar esse curso, será algo parecido como uma conversa íntima com estranhos. A ver. Vocês se animariam?
É isso. Achei que estava devendo uma palavrinha por aqui. Escrever no Substack, como no meu antigo e homônimo blog dos idos dos anos 2000, é também um jeito de conversar comigo.
Ah!, há dois dias foi o aniversário do maravilhoso Mike Patton. Ele fez 58 anos. Parabéns para ele. Em quatro dias é o meu. Não sei o que pensar. Só penso que quero envelhecer com dignidade. E seguir fiel a mim mesma.




"Vida doçura": esperança nossa, salve!
Espero conhecê-la em breve num lançamento no Rio.