Oitavo poema
Só escrevi sete poemas
Ninguém mais
Como ninguém jamais te amou
Como eu
Guilherme Arantes toca às alturas na caixa de som
Tatuagens antigas enroscam em seus braços
Flácidos
Coca-Cola e Moscow Mule
Candy Crush
Traição
Kajal nos olhos grandes
Que choram lágrimas ácidas
Rancor
Ingratidão
Sol demais na juventude
A ponta da língua escapando pelos dentes, já doentes
Sotaque de Niterói
O coração tatuado na coxa
A tinta escoa da borda
O fim foi enigmático
Rápido
Minha consternação
Está fincada aqui



Sinto que essas pequenas marcas do cotidiano, juntas, revelam um afeto que não se desfaz mesmo depois do fim.
Pois gostei bem desse, me li, meu rancor, ingratidão, sol demais na juventude, meu sotaque de Niterói.