Melancolia
bile da estação
Muito difícil escrever no estado em que me encontro. É como se eu fosse um moletom rastejando de quatro pela casa, há dias e dias. Meu corpo inteiro dói, minha consciência é cruel, minha cabeça é confusa, meu coração sangra.
Faz uns quatro anos que minha depressão piorou e durante esse período mudei de médicos, diagnósticos e remédios. Nada muda. Uma melhorinha aqui e logo a derrocada.
Sinto que estacionei para sempre num lugar ermo e frio no Arkansas. Sinto mais culpa ainda porque não há motivos concretos para eu me sentir assim. Sou muito realizada com as escolhas que fiz na minha vida. Tenho duas filhas com olhos imensos e felizes. O que há de errado comigo?
Começo a me colocar em um lugar patético de vítima que não estou errada, mas o mundo. As pessoas se viram. Eu choro. Quanto mais a minha idade avança mais as árvores que rodeiam esse estacionamento ermo do Arkansas dançam com o vento frio.
Preciso responder mensagens lindas de amigos recentes, amigos antigos, e não consigo. Mas terminei finalmente todas as revisões do meu próximo romance que agora está sendo encaminhado para a preparação. Talvez este romance tenha me adoecido. Talvez.
Mas começo a sentir o peso dele saindo do meu corpo, um casaco puído e comprido, como dos personagens de romances russos. Também me falta a concentração para ler. Por exemplo, quero ler faz muito tempo Memórias do subsolo, mas sei que vou ser dragada para a morte. Talvez esteja errada e sinta uma cumplicidade salvadora com a angústia do Dostoiévski.
Álcool anda me fazendo muito mal. Fumar também. Fico pensando que uma medicação alternativa seja um combo de um russo + ioga + cantar. Vou tentar. Prometo.
Se você gosta do que escrevo considere contribuir com 5 reais mensais ou 80 reais anuais para o meu trabalho.




Sai desse fria, Natércia. Você é uma querida dos seus fãs! Não queremos ver você assim! Mais ficção e mais criação, que tal?
desejo que você encontre conforto, seja na medicina tradicional ou no combo alternativo. 😊