Frio
um arrepio
Um arrepio, não. Muitos arrepios. E um desconforto insuportável. As mãos e os pés gélidos, mesmo com meias e luvas, uma vontade de estar na cama inescapável. A espinha dorsal dura, o rosto contraído, os dentes agonizantes, as orelhas clamando por protetores auriculares. Um atmosfera russa, hostil.
Cearense, eu amava o frio. Mas ao longo dos dezoito anos que moro aqui em São Paulo fui perdendo o gosto. Minha casa tem teto de estuque, então ela fica mais fria que o exterior, que já é gélido.
Eu pareço uma senhorinha encurvada e recoberta por milhares de peças para me proteger da sensação macabra que o frio produz em nossas células. Até nas pálpebras sinto frio.
Sempre preferi as meias-estações porque você não frita nem congela. (Sim, eu sei que esse meu texto está parecendo conversa de elevador, quando no frio até os botões ficam gélidos.)
Mas não consigo fazer nada, falar nada, a não ser dormir encapada ou reclamar da temperatura cruel e baixa. Ficar no meu escritório, só com o aquecedor elétrico que me dá paúra. Ficar deitada o dia inteiro me dá culpa. O que fazer no frio?
Comer fondue. A única resposta possível. E fondue é até legal (um pouco cafona, acho), mas não justifica.




Menina, quase te entendo, este é o meu chão...gelado.
Amava frio, inverno, dormir pelada, beber vinho, sair soltando brumas gélidas pela boca, como em Excalibur.
Tempo passa e surgem as ites, vacinas, medos... Aquecimento central, onde? alô arquitetos. Estufa, lareira, gás central? Luxos.
Sem glamour, acordar noite às 6h e voltar para casa, noite, às 17h.
Sem falar nas mudanças climáticas...
Enfim, sigo gostando do vinho.
Ah, e o inverno nem comecou.😬
citando adriana calcanhotto, eu gosto do inverno do leblon "quase glacial" (quando a temperatura mais baixa fica ali pelos 22º), principalmente porque os dias costumam ser bem bonitos: sol e céu azul. e, para citar outro músico (djavan, agora), um dia frio e um bom lugar para ler um livro são imbatíveis!