Décimo poema
Só escrevi nove poemas
Ontem recebi um sorriso brilhante
Abraço forte
Pupilas dilatadas
Adorada
Depois de tanto açoite
A noite
Tinha que acabar
Carrego no peito
Ondas espumantes
Um pássaro preso na cozinha
Sou dia
E o resplendor que vaza das janelas
Desenham um cubo luminoso
Abro os olhos
E vejo meus pés
Brancos e compridos
Acaricio-os
Tomo um comprimido
E evanesço sob o lençol suado
Tive um sonho profundo
Na Urca
Um bebê que já nascia andando
O cheiro de leite materno
O cheiro da moleira suada
As pedras da Urca
As praias da Urca
Meu abraço
Que guardo comigo
Dentro da mochila


